Relato de Parto – parte final

Relato de Parto - parte final
 
Fiz atividade física, mantive uma alimentação equilibrada, tudo o que eu podia fazer para ter uma gestação saudável e um parto normal, mas não tive, a minha princesa Alice nasceu de cesárea.
 
Como a história é longa, decidi contar e dividi o texto em 3 partes:

Continuando o post anterior:

Levantei da maca com a ajuda da mão dela e fui caminhando para uma sala um pouco a frente. Estava tudo pronto, deitei e começaram os preparativos. 

A equipe de vídeo chegou junto com meu esposo,  nos olhávamos com medo e alegria. O chamaram para assistir o momento do nascimento. Lembro da anestesista, uma senhora simpática olhar e dizer:
– Nossa como ela é cabeluda!!!
Eram 8:26 do dia 10 de Janeiro de 2013, uma quinta feira chuvosa em São Paulo, olhei minha princesa pela primeira vez, senti seu rostinho quente na minha bochecha, senti seu cheiro, ela parou de chorar e começou a chupar os dedinhos.

Nunca vou me esquecer daquele momento. Todos os medos, angústias e inseguranças, passaram. Eramos eu e ela, finalmente ela nasceu.

Depois de tudo, de voltar para casa, a nova rotina, os momentos de aprendizado, as horas sozinha com a cabeça livre para pensar em zilhões de coisas, a culpa e os questionamentos começaram a surgir. Comecei a me sentir cada vez mais frustradas e decepcionada por não ter conseguido ter um parto normal.

A pressão por parte das pessoas, principalmente as ativistas, de culpar, de que não existe cesárea necessária, sempre isso, sempre aquilo, eu me culpando cada vez mais, tentando entender porque não consegui.

Agora imagina você vulnerável, sem dormir direito, sem comer direito, tentando se adaptar a nova rotina e pessoas que você se quer conhece, enfiando o dedo na sua cara se achando no direito de ditar o que é certo ou errado. Sou contra radicalismo, acredito que precisamos ter equilíbrio.

Estava com 40 semanas e 5 dias, minha bolsa estourou e eu não tive dilatação, eu sentia o parto não evoluindo, fiz o parto com o plantonista, foram muitas horas de contrações, ritmadas, mas sem dilatação. Eu não tinha mais forças, estava me sentindo cansada, quando me disseram que eu iria passar pela cesárea fiquei muito triste e ao mesmo tempo já não sabia o que queria.

Era um misto de tristeza, de desespero, de medo e de alivio por que eu já estava sofrendo muito. Nos documentos do parto há o registro que já havia sofrimento fetal. Eu entendo que foi o melhor pra mim e para a Alice, mas foi uma grande frustração, de verdade.

Estou em várias mídias sociais e evito ao máximo seguir grupos, páginas ou pessoas que levantam esta bandeira de “parto normal a qualquer custo”, pois é algo que ainda me entristece muito, o fato ter passado por isso e muitas vezes não ser compreendida.

Não sei ate que ponto foi necessária ou não.

Decidi que não vou deixar isto me afetar mais, passou. tive a graça de gerar uma princesa linda, que nasceu e é super saudável. Sou feliz, sou mãe e sou real. Sou uma mãe possível.

Se quiser deixe seu comentário.

Beijos e até mais.

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  1. Anna querida! Que lindo relato! Olha vou te dizer uma coisa, nada do que as pessoas dizem me preocupa! O que me importou sempre durante a gravidez foi a saúde da minha filhota e garatir que ela viesse em seguraca ao mundo!
    Eu queria parto normal também, mas nos exames finais descobrimos que eu estava com a bactéria estreptococos b, bactéria muito perigosa para o bebê e parto normal! Meu médico, um querido, sempre apoiou minhas decisões, mas desta vez me pediu pra voltar para casa e refletir sobre o que eu queria. Conversamos muito, eu e ele, até consultei outros dois obstetras e diz muita leitura sobre o assunto, no final marquei a cesaria. Quando Juju nasceu eu tinha duas voltas de cordão no pescoço, imagina se tudo estivesse bem e fossemos para uma cesaria! Certamente iria ter problemas!
    Nunca me culpei por isso, na verdade só agradeço a Deus por ter me colocado no melhor caminho!
    Vc conheceu a Juju, viu ela correr com sua filhota e disputarem os potinhos de massinha da Joana rsrsrs, olhando para elas 3 cheias de saúde, não vemos nenhuma diferença pela forma que elas vieram ao mundo, não é verdade! São inteligentes, lindas e cheias de saúde! É isso é noque de verdade importa! Hoje acho q muitas coisas são mais um comércio q outra coisa. Não se preocupe e não se culpe queirida, vc é a melhor mãe que Alice poderia ter e Deus sabe o que faz! Que você tenha um lindo dia!!! Nos vemos amanhã hen!!! Beijossss

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  2. Tati, você tem toda razão, no final o que importa independente do tipo de parto ou até se não houve um parto (adoção) É que tenha saúde, que tenha amor e Nós somos mães e nos esforçamos para ser a melhor possível. Incrível como algo tão pequeno diante da imensidão que é gerar vida pode ter me afetado tanto. Obrigada pela visita e comentário tão carinhoso.

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  3. Ana o que importada não é como ela chegou ao mundo e sim que ela é sua e estará com vc por muitos e muitos anos.. Tbm tive cesárea e as vezes me pego pensando pq deixei que isso acontecesse mas sabe, é bobagem de um jeito ou de outro elas iriam nascer e o que importa é que somos mães e somos as melhores que elas poderiam ter!

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  4. Lindo relato Anna, amei sua história e o que tiro disso tudo é o amor e sua tentativa de fazer sempre o melhor. Talvez um parto normal a qualquer custo não seria tão bem sucedido e colocar a nossa vida e a vida do nosso filho é fora de cogitação. Alice é linda, saudável e esperta como vc disse e você é uma mãe real e que sempre fará sua parte da melhor forma que puder, até onde puder. Um beijo.

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  5. Anna lindo seu relato. Confesso que também me senti culpada e frustada por não ter tentado o PN. Estava em trabalho de parto, com contrações e 5 cm de dilatação. Sentia muita dor (estava há 2 semanas sem dormir) e exausta. Quando vi meu médico comecei a chorar e dizer que não aguentava mais. Ele prontamente me atendeu. Por um tempo sofri. Porém, também passei a pensar que o importante foi Pedro ter nascido bem. Agora na gravidez da Julia digo que vou tentar e vou mesmo PN. Porém, se não der vou sofrer menos. Toda informação é bem vinda. Mas o radicalismo é prejudicial.

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  6. Exatamente Fabi, e muda muito de uma para outra, mulher e gestação. Não podemos comparar e nem achar que somos "menos mãe" por isso.

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