Desfralde

 

Este é um processo que exige paciência e um tanto de dedicação. É preciso compreender os sinais da criança. O processo por aqui foi difícil até eu entender que ainda não era a hora
 

A Alice estava prestes a fazer dois anos e durante a consulta de rotina, o pediatra questionou sobre a fralda e orientou a começar a conversar e preparar o desfralde. Estávamos de viagem marcada para um lugar frio, New York (tem posts sobre a viagem clicando aqui) e expliquei que só quando retornasse iria tentar.
Aproveitei a viagem e trouxe um penico cheio de frusfrus e que toca música:
Meu Troninho Musical – Safety 1st
Quando voltamos da viagem, comecei a conversar com a Alice e mostrar o penico, ela chorava e gritava, não queria nem se aproximar. Mostrei a musiquinha, ela riu de longe, foram alguns dias mostrando até deixa lo encostado.
Fiquei triste e comecei a pesquisar e ler mais a respeito, percebi que ela não dava nenhum sinal.
A cada troca de fralda, eu comentava que ela tinha feito xixi ou cocô, não valorizava o momento da troca, não brincava, só explicava: – fez xixi – fez cocô
Esperei mais alguns meses, novamente final de ano, se você me acompanha no insta, talvez tenha visto, postei no inicio de Dezembro de 2015, uma foto do “quadro de incentivo” que fiz para ela começar a usar o penico, sem sucesso. Ela estava com 2 anos e 11 meses, às vésperas de completar 3 anos e nada ainda.

 

Começou a bater um desânimo, ela grandona, era um sufoco trocar fraldas, mesmo sendo aquelas de vestir.
Comecei então a conversar mais sobre isto, mostrar vídeos sobre o uso do penico, explicava que já estava mocinha e precisava largar a fralda, ela soltava sempre um longo NÃO!
Inicio de 2016, Alice completou 3 anos, comecei a buscar escolas e logo ouvi que não aceitavam crianças de fralda, percebi que precisava sim respeitar o tempo da Alice, mas que algo precisava ser feito.
Insisti nos vídeos sobre penico, xixi e cocô. Cada vez que eu ia usar o banheiro a chamava para me ajudar a dar tchau para o xixi e para o cocô.
Ela, ainda de fraldas, começou a avisar que queria fazer, levava de fralda e tirava correndo no banheiro, mas ela não queria sentar no penico.
Estava calor, tirei os tapetes do quarto e das salas. Quando ela acordou tirei a fralda, expliquei que iria deixa la de calcinha como a mamãe e caso quisesse fazer xixi ou cocô avisasse.
Foram muitos xixis no chão, ela avisava, mas não dava tempo, avisava quando o chão já estava todo molhado. O primeiro cocô no chão, ela se desesperou, eu mantive a calma e disse que acontecia, que estava tudo bem, que na próxima iriamos tentar.
Um dia ela acordou e pediu para fazer xixi, antes mesmo de dar bom dia, quando entramos no banheiro ela disse que não queria o penico, queria a privada como a mamãe, e fez. Pequei um redutor de assento e coloquei na privada, durante todo o dia ela pediu para fazer e fez.
Foram 5 dias, ela se acostumou a pedir antes de fazer. Estava com três anos e meio, foi tardio? Não sei. Sei que foi realmente quando ela deu os sinais e se mostrou pronta.
Fiquei curiosa como seria na rua, nos passeios, fomos ao mercado aqui dentro do condomínio, antes de sair, expliquei que iríamos ao mercado, que lá não tinha banheiro, ele fez xixi, fomos e voltamos sem problemas, ela se mostrou segura e feliz porque estava de vestido e calcinha como a a mamãe.
No final de semana shopping, igreja, casa da vovó, tudo sem problemas.
Ela pedia para fazer xixi durante o dia, a noite dormia sem fraldas e não dava problemas quando saímos. Havia ainda uma dificuldade, o cocô, ela não queria fazer, segurava 3 dias e quando não aguentava mais, fazia na calcinha, não avisava.
Conversei com ela e expliquei a necessidade de fazer sempre o cocô. Para ajudar no processo decidi fazer um novo quadro de incentivos, também publiquei no insta:
Usando papel sulfite, canetinhas e a internet, criei este “quadro de incentivos”, a cada ida ao banheiro para fazer cocô, ela ganhava um adesivo e o colava nos círculos, quando completou ganhou um prêmio.
Foi assim, bem faseado, não muito fácil, mas foi. Ocorreram alguns escapes na igreja e na escola quando ela começou, no inicio tinha vergonha de pedir que alguém que não eu a levasse no banheiro, percebi isto e quando estava na casa dos meus pais por exemplo, e ela pedia, eu falava a vovó vai te levar, a titia Quel vai com você e assim ela foi se acostumando.
Se você esta passando por esta fase e eu pudesse te dar dicas, seriam:
• Respeite a criança, não o palpite dos outros;
• Espere o tempo da criança;
• Converse muito, não brigue;
• Incentive e mostre que é uma nova fase. (eu perguntava: – A Elsa usa fralda? A Mônica usa fralda? A Rapunzel usa fralda? A Alice também é uma mocinha, precisa usar calcinhas.)
Não sei se o caminho que segui foi o mais correto, o certo ou o adequado, mas foi o caminho que escolhi, quis compartilhar nossa experiência a fim de poder ajudar outras mamães e papais passando pelo mesmo.
Caso queira deixar alguma dica ou dúvida, agradeço.
Até a próxima,
Anna Peppe
*post atualizado em 14 de Julho de 2016.

 

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